Se dormir é morrer desço, por algumas breves horas, ao incortonável da natureza,
imerso entre monstros feitos de retalhos e rasgos da consciência.
Aos poucos sinto que a morte breve do sono é melhor do que dizem da verdadeira.
O sono traz gente viva e problemas imaginários. Mesmo assim, problemas.
Os problemas movem a vida, mas porque aparecem na morte breve?
Segue a lógica de viver.
Viver é solucionar ou postegar a resolução de imaginários problemas.
Gente viva.
Voltando ao sono, pois lá estive contigo.
Entre cores novas, lugares indefiníveis e falas desconexas eu te vi.
Os olhos grandes prendiam-me por hipnose.
O cabelo liso e leve levantado pelo vento de um começo de temporal.
Escureceu e esfriou.
Raios confundem minha visão e batidas de janela compõem a sinfonia com os pingos da chuva.
Não conseguia distinguir o que molhava minha boca, se gotas grossas despencadas do céu ou seus lábios.
A rajada de vento no meu peito ou seu corpo colado na minha pele.
E nem lembrei mais do frio lá fora.
A confusão entre o que era o corpo seu, a enxurrada, os galhos quebrados e o que de mim restava era tamanha ao ponto de não saber mais de nada.
Deixei fluir, assim como a água exige.
Nada segura o fluxo inevitável do sentimento.
Acordei, lembrando dos compromissos chatos do dia.
Mas, depois desta noite, a lembrança confusa do que era você e do quanto era chuva forte, reinava em mim.
De alguma forma, a morte breve trouxe o que quero em vida: o gozo de uma tempestade.
Más caras?
"O bom e o bonito da vida é que as pessoas não estão sempre iguais, afinam e desafinam, isso me alegra de montão." Guimarães Rosa
terça-feira, 20 de março de 2012
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Clarice
"Eu queria morrer viva, descendo ao
meu próprio túmulo e eu mesma fechá-lo com uma pancada seca. E depois,
enlouquecer de dor na escuridão da terra, mas não na inconsciência." Clarice Lispector
Da série nostalgia, publicado aqui em 19.12.2007
Da série nostalgia, publicado aqui em 19.12.2007
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
06/12/2011 -
08h06
Do UOL Notícias, em São Paulo
A dona de Reagan ouviu o miado de
gatinhos dentro do saco. Quando verificou o que tinha dentro, encontrou
dois filhotinhos cobertos de sangue.
Cão salva gatinhos abandonados para morrer em estrada dos EUA
Do UOL Notícias, em São Paulo
Um cão resgatou dois filhotinhos de gato abandonados e deixados para morrer em uma estrada dos EUA.
Os gatinhos foram colocados dentro de
um saco e jogados em uma estrada movimentada da região do condado de
Madison, na região rural do Estado de Iowa. O cão Reagan encontrou o
saco e o levou até a sua dona. O animal ficou diante da dona até que ela
abrisse o saco.
"O instinto do cão foi tão educado que
[Reagan] não matou os filhotes. Com todo aquele sangue, alguns cães
poderiam responder ao cheiro. Reagan é um herói", disse Linda Blakely,
do Raccoon Valley Animal Sanctuary, que abriga os gatinhos atualmente.
Os gatos estavam tão fracos quando
foram encontrados que poucos acreditavam que eles pudessem sobreviver.
Eles tiveram que ser alimentados a cada duas horas e hoje, quase três
meses depois de terem sido encontrados, estão saudáveis e têm uma vida
normal.
Os filhotes, que ganharam os nomes de Skipper e Tipper [clique na aba acima para ver os filhotinhos], estão disponíveis para adoção no Raccoon Valley Animal Sanctuary. As informações são do "WHOTV.com".
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Estrelas durante o dia
É uma arte conseguir enxergar estrelas durante o dia.
Querem nos convencer primeiro de que é impossível e, depois, de que isso é coisa de vagabundo.
Estrelas foram feitas para a noite, assim como o sol para o dia e assunto encerrado. Ponto final.
No entanto, não é somente possível como imprescindível buscá-las do nascer ao adeus do sol.
É o cotidiano que nos subtrai, que cega-nos diante da infinutude das possibilidades da vida e de sua finitude e sopro.
Quantos dissabores teríamos evitado, quantas discussões idiotas poupadas, quantos medos e equívocos subsumidos numa simples visão de estrela durante o dia, nisso se incluindo as cadentes.
Estrelas nos apequenam e ao mesmo tempo dão-nos a exata medida do quase nada que somos, sem contudo, jogar-nos para baixo; ao contrário, sentimos algo diferente, uma justificativa a mais para estarmos aqui vivendo, apesar dos pesares. Por isso tão necessárias, imprescindíveis.
Se procurar bem é possível junto ver uma lua e, bem mesmo, até uma cheia.
O dia meio que nos afasta desse contato pleno com o universo.
Nada melhor que uma noite para devolver-nos o sentido de tudo. No meio rural, mais ainda, por isso adesconfio que os homens do campo são humildes e sábios ao mesmo tempo, porque tem como quintal a noite estrelada.
Voltado ao dia e à necessidade de enxergarmos estrelas nele, creio que quanto mais estrelas conseguirmos encontrar durante o dia, mais verrugas, ops, mais tranquila será nossa existência.
E fique tranquilo respeitável público, pois ela nos aparece quando menos esperamos; num trapezista de semáforo, num moleque de rua, numa chuva ao fim da tarde, num buquê inesperado ou, mesmo, na conclusão de um trabalho socialmente justo.
Estão por aí, espalhadas, soltas como migalhas, procurando donas e donos, corações, lágrimas e sentimentos.
Querem nos convencer primeiro de que é impossível e, depois, de que isso é coisa de vagabundo.
Estrelas foram feitas para a noite, assim como o sol para o dia e assunto encerrado. Ponto final.
No entanto, não é somente possível como imprescindível buscá-las do nascer ao adeus do sol.
É o cotidiano que nos subtrai, que cega-nos diante da infinutude das possibilidades da vida e de sua finitude e sopro.
Quantos dissabores teríamos evitado, quantas discussões idiotas poupadas, quantos medos e equívocos subsumidos numa simples visão de estrela durante o dia, nisso se incluindo as cadentes.
Estrelas nos apequenam e ao mesmo tempo dão-nos a exata medida do quase nada que somos, sem contudo, jogar-nos para baixo; ao contrário, sentimos algo diferente, uma justificativa a mais para estarmos aqui vivendo, apesar dos pesares. Por isso tão necessárias, imprescindíveis.
Se procurar bem é possível junto ver uma lua e, bem mesmo, até uma cheia.
O dia meio que nos afasta desse contato pleno com o universo.
Nada melhor que uma noite para devolver-nos o sentido de tudo. No meio rural, mais ainda, por isso adesconfio que os homens do campo são humildes e sábios ao mesmo tempo, porque tem como quintal a noite estrelada.
Voltado ao dia e à necessidade de enxergarmos estrelas nele, creio que quanto mais estrelas conseguirmos encontrar durante o dia, mais verrugas, ops, mais tranquila será nossa existência.
E fique tranquilo respeitável público, pois ela nos aparece quando menos esperamos; num trapezista de semáforo, num moleque de rua, numa chuva ao fim da tarde, num buquê inesperado ou, mesmo, na conclusão de um trabalho socialmente justo.
Estão por aí, espalhadas, soltas como migalhas, procurando donas e donos, corações, lágrimas e sentimentos.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Cenas de cotidiano
13/10/2011 -
10h31
Especial para o UOL Notícias
Em Curitiba
Rambo, o vira-latas que se mudou para um cemitério no interior do
Paraná após a morte do dono, foi adotado pelo próprio coveiro, Sidinei
Ramos, depois que vários candidatos desistiram de ficar com o cachorro.
As esperanças de adoção foram descartadas pelo comportamento dos candidatos. Ramos afirmou ao UOL Notícias que os interessados na adoção “mudavam de ideia quando viam que o cão era um vira-latas”.
“Teve muita gente que ligou e veio ao cemitério, se interessou pelo Rambo, mas quando viam o cão, não gostavam da aparência dele e iam embora. Por isso não vou deixar ele sair daqui”. A intenção do coveiro era entregá-lo para que ele pudesse ter um novo dono e não ficar perambulando pelo cemitério, mas o animal foi se adaptando ao lugar.
“Como ele já está acostumado aqui no cemitério, o Rambo vai ficar por aqui mesmo. Eu tenho cachorro em casa, gosto de animais, e cuidar de mais, um pra mim, não é nenhum problema”, disse o coveiro de Mamborê (482 km de Curitiba). Moradores da cidade, ao saber da história, também se dispuseram a ajudar o coveiro com ração para alimentar o cãozinho.
Outro exemplo da adaptação ao cemitério é que Rambo não dorme ao relento. Segundo o coveiro, o cachorro arrumou uma gaveta vazia (jazigo de concreto em forma de armário para guardar um caixão) para se abrigar durante a noite e em dias de chuva.
Rambo ganhou o apelido do próprio coveiro. Quando o cachorro apareceu, sempre ficando próximo ao túmulo do antigo dono, que morreu há quatro meses, o cãozinho apresentava um comportamento violento, principalmente se outros animais aparecessem na área. Mas, segundo Ramos, Rambo está mais calmo agora, até pelo fato de ter se ambientado à nova região que escolheu para viver.
Cachorro que se mudou para cemitério para ficar perto do dono morto será adotado pelo coveiro
Dimitri do ValleEspecial para o UOL Notícias
Em Curitiba
-
Coveiro Sidinei Ramos, do cemitério de Mamborê (PR), anuncia que vai adotar Rambo
As esperanças de adoção foram descartadas pelo comportamento dos candidatos. Ramos afirmou ao UOL Notícias que os interessados na adoção “mudavam de ideia quando viam que o cão era um vira-latas”.
“Teve muita gente que ligou e veio ao cemitério, se interessou pelo Rambo, mas quando viam o cão, não gostavam da aparência dele e iam embora. Por isso não vou deixar ele sair daqui”. A intenção do coveiro era entregá-lo para que ele pudesse ter um novo dono e não ficar perambulando pelo cemitério, mas o animal foi se adaptando ao lugar.
“Como ele já está acostumado aqui no cemitério, o Rambo vai ficar por aqui mesmo. Eu tenho cachorro em casa, gosto de animais, e cuidar de mais, um pra mim, não é nenhum problema”, disse o coveiro de Mamborê (482 km de Curitiba). Moradores da cidade, ao saber da história, também se dispuseram a ajudar o coveiro com ração para alimentar o cãozinho.
Outro exemplo da adaptação ao cemitério é que Rambo não dorme ao relento. Segundo o coveiro, o cachorro arrumou uma gaveta vazia (jazigo de concreto em forma de armário para guardar um caixão) para se abrigar durante a noite e em dias de chuva.
Rambo ganhou o apelido do próprio coveiro. Quando o cachorro apareceu, sempre ficando próximo ao túmulo do antigo dono, que morreu há quatro meses, o cãozinho apresentava um comportamento violento, principalmente se outros animais aparecessem na área. Mas, segundo Ramos, Rambo está mais calmo agora, até pelo fato de ter se ambientado à nova região que escolheu para viver.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
As três rosas brancas de origami.
Tenho grande curiosidade por observar as pessoas, principalmente em viagens. Uma rodoviária é quase um aquário colorido para meus olhos. Um aeroporto então, nossa, que fascinante!
Nesses ambientes é possível ver a vida em frenético movimento. São casais que se despedem, que se reencontram, filhos e pais, caixas, malas, barulhos, cães e gatos não entendendo nada daquilo tudo.
A viagem em si é tão fantástica quanto a sua espera e chegada.
Certo dia, em um avião, casado de atrasos e arrumação de voo, ar condicionado com defeito, uma criança, sem entender muito o que fazia ali, pululava entre mãe, avó e os outros passageiros.
Nada é mais atrativo para uma criança que estar a três passos dessas duas entidades. O pequeno não parava, ia de uma poltrona a outra como um átomo, como um urânio enriquecido descontrolado prestes a explodir o que pela frente viesse.
Ao meu lado, uma mulher trabalhava em seu notebok e era interpelada constantemente pela criança que queria, além da atenção, apenas teclar aleatoriamente com e para ela.
E nisso vão se as horas, moleque vai moleque vem, como partícula de física quântica.
Atrás, a avó meio destemperada, não contente com o enérgico neto, também dava seu showzinho à parte, inda mais que bem do seu lado, havia uma mulher que tinha fobia de voar.
E nisso vão se as horas, moleque vai moleque vem, como partícula de física quântica.
Ao final, após uma conturbada viagem, meninho quântico dormindo nos braços da mamãe, pousamos.
Enquanto ligava o celular, mesmo antes da permissão, eis que o rapaz da nossa frente aperta o barulhento sininho do serviço.
Plim!
Quando a aeromoça chega para ver do que se tratava, recebe três rosas brancas de origami, uma para cada colega de trabalho.
Enquanto não podemos contar com jardins no céu, brinda-nos a beleza de uma rosa branca de papel, feita ali, num improviso de um voo conturbado, sem maiores pretensões além da chegada.
Nesses ambientes é possível ver a vida em frenético movimento. São casais que se despedem, que se reencontram, filhos e pais, caixas, malas, barulhos, cães e gatos não entendendo nada daquilo tudo.
A viagem em si é tão fantástica quanto a sua espera e chegada.
Certo dia, em um avião, casado de atrasos e arrumação de voo, ar condicionado com defeito, uma criança, sem entender muito o que fazia ali, pululava entre mãe, avó e os outros passageiros.
Nada é mais atrativo para uma criança que estar a três passos dessas duas entidades. O pequeno não parava, ia de uma poltrona a outra como um átomo, como um urânio enriquecido descontrolado prestes a explodir o que pela frente viesse.
Ao meu lado, uma mulher trabalhava em seu notebok e era interpelada constantemente pela criança que queria, além da atenção, apenas teclar aleatoriamente com e para ela.
E nisso vão se as horas, moleque vai moleque vem, como partícula de física quântica.
Atrás, a avó meio destemperada, não contente com o enérgico neto, também dava seu showzinho à parte, inda mais que bem do seu lado, havia uma mulher que tinha fobia de voar.
E nisso vão se as horas, moleque vai moleque vem, como partícula de física quântica.
Ao final, após uma conturbada viagem, meninho quântico dormindo nos braços da mamãe, pousamos.
Enquanto ligava o celular, mesmo antes da permissão, eis que o rapaz da nossa frente aperta o barulhento sininho do serviço.
Plim!
Quando a aeromoça chega para ver do que se tratava, recebe três rosas brancas de origami, uma para cada colega de trabalho.
Enquanto não podemos contar com jardins no céu, brinda-nos a beleza de uma rosa branca de papel, feita ali, num improviso de um voo conturbado, sem maiores pretensões além da chegada.
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